Pedro Chau | PERSONAE
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Pedro Chau

Não é chinês mas quase. Chau era a alcunha do avô contrabandista e quando o pai nasceu, a conhecida que o registou pensava que era o nome verdadeiro e assim ficou – o nome do pai, do filho, e das irmãs. Foram elas que o fizeram apaixonar-se pela música e imitar artistas ao espelho quando era pequeno. Usava as roupas delas, e a mais nova tinha uma colecção enorme de cassetes e discos. Depois começou a ir à discoteca, mas não para dançar. O meu cunhado era gerente da States e quando estavam a construir ia para lá ajudar, depois não tinha idade para frequentar mas apanhava sempre os hits que vinham de Inglaterra. 

Na 4ª classe lembra-se de andar com um gravador que lhe ofereceram. Era um fascínio total poder gravar a minha voz, andar para trás e para a frente, gravar os meus amigos sem eles saberem. O que ainda não lhe passava pela cabeça era tocar num conjuntocomo se dizia na altura. Isso foi depois. Tudo aconteceu quando um amigo pediu para deixar o baixo em minha casa – experimentei, e passado alguns meses já conseguia tocar algumas músicas básicas, tudo de ouvido.

Dos covers dos Joy Division aos Garbage Catz, com Kaló e Pedro Serra, a seguir vieram os Seventy Seven, os Tédio Boys, Londres e o estoiro da fama nos The Parkinsons e tudo o que lhe esteve associado, inclusive ataques de pânico. Foi complicado, foi tudo tão rápido, de repente vimo-nos numa situação que não sabíamos onde ia parar e eu nem soube lidar bem com aquiloContinua a não gostar de ser filmado. Diz que hoje em dia há excesso de imagens e prefere ler um livro, projectar as próprias ideias e ser o realizador das suas construções mentais. Não é calmo, diz que os outros é que são muito excitados, e ainda sobe ao palco com Vítor Torpedo e Afonso Pinto, ao mesmo tempo que é DJ e está em projectos como os Subway Riders e Ghost Hunt.

Pedro Chau prefere viver com pouco e tentar fazer o que gosta, andar na rua e ninguém o conhecer, e até gosta mais de Coimbra do que antigamente. Para ele fazer música é isso, é encontrar um espaço, um contexto, um terreno para a expressão da individualidade, e aqui isso é possível. Tem os seus defeitos, os seus problemas, mas já não está naquela fase de estar sempre a cascar. Se estás mal, faz-te à vida. Ponto final parágrafo.

Fotografia: João Azevedo
Texto: Filipa Queiroz
(in Coolectiva 2018)

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