Raquel Ralha | PERSONAE
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Raquel Ralha

Diz que é de sorriso fácil e tímida mas disfarça bem. Detesta entrevistas, as mãos começam a suar, por isso ainda bem que não é o caso. Raquel Ralha é filha do Norte mas nasceu em Coimbra e é na Solum que se lembra de começar a cantar – Adorava fazer playback para as minhas irmãs! -, mas só pegou num microfone a sério quando recebeu o convite para fazer os coros dos Belle Chase Hotel.

Quando deu por ela, em plenos anos 90, estava numa tournée gigantesca e a despedir-se da carreira de professora de inglês. Era mesmo muito tímida, mas não no palco. Até criou uma espécie de personagem, talvez por isso tenha daqueles rostos que não se esquece. A banda levou-a bem longe, até a Macau, e depois vieram outras: Wraygunn, Azembla’s Quartet, o solo a dois Raquel Ralha & Pedro Renato e, recentemente, The Twist Connection.

Tenho a sorte de ser versátil, conseguir mover-me em várias áreas dentro da música e sentir-me bem com todas elas. Não tem duas almas em guerra, mas quase. De um lado uma vida pacata numa aldeia perto de Coimbra, 3 cães, adora conduzir, cozinhar, jardinagem e fazer crochet.

Diz que a vida lhe sorri e não é de se queixar. Até digo a brincar que sou a camponesa do rock. Mas não tenham ilusões. Sou uma pessoa de bem mas tenho um lado muito negro, uma certa simpatia pelo diabo. Pelo diabo e por Siouxsie Sioux, e não é por ser mulher. Quem tem vontade de se atirar ao rock atira-se, sejam eles ou elas. 

Raquel podia ter voado mas não voou e para ela só ter de ir a Lisboa soa a sacrifício. O pessoal lá não tem tempo para respirar, não teria paciência para passar horas no trânsito, por isso vou-me mantendo por cá. Coimbra é casa, com o que tem de bom e de mau. Apesar de sermos sempre mais ou menos os mesmos acho que já tem dado coisas boas, e continuo a achar que deves fazer coisas na tua cidade. Se for tudo embora, como é que fica a coisa? Prefiro fazer parte deste pequeno polo de resistência. 

Fotografia: João Azevedo
Texto: Filipa Queiroz
(in Coolectiva 2018)

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