Rita Alcaire | PERSONAE
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Rita Alcaire

Rita Alcaire | Antropóloga e documentarista

As valências de Rita Alcaire não se esgotam nas duas primeiras palavras acima descritas. É antropóloga, documentarista, investigadora da equipa portuguesa do projecto CILIA LGBTQI+ (CES), doutorada em Human Rights in Contemporary Societies e mestre em Psiquiatria Cultural. Prestes a completar 41 anos, natural de Coimbra, onde viveu e estudou e ainda vive e trabalha, Rita quer abrir mentes, agitar consciências e questionar preconceitos. Com vários trabalhos publicados, os seus interesses de investigação incidem no estudo de sexualidades, saúde mental e pop culture usando documentários como forma de os abordar. É co-realizadora de Filhos do Tédio (2006), Breve História do Rock de Coimbra (2010), e Das 9 às 5 – trabalho sexual é trabalho (2011), para citar alguns. Diz que não tem hobbies. Fico um bocadinho preocupada porque parece uma coisa que uma pessoa faz para se entreter e acho que levo tudo muito a sério. Se mandasse em Portugal mudava o orçamento para a cultura e investia em formação cívica. Em 2020 revela que quer voltar ao trabalho criativo mas com tempo, porque os últimos anos foram muito corridos, de muitas perdas e de muitas confusões e agora é tempo de abrandar e saborear.

  • Qual foi a primeira coisa que pensaste quando acordaste hoje de manhã?

Tenho que ir abrir as janelas, arejar a casa.

  • Qual é o hábito que tens agora mas desejavas ter começado mais cedo?

Aprender a tocar bateria.

  • Qual é a app que mais usas no teu telemóvel?

Messenger.

  • Com quem dizem que és parecida?

Com toda a gente e com ninguém. Sempre me disseram: Tens uma cara fora do comum. Mas sou sempre parecida com alguém: um primo, os meus pais, a Dulce Pontes (agora nem tanto porque estou um bocadinho mais gorda), ou a Andréa Beltrão, uma actriz brasileira.

  • Se pudesses telefonar a qualquer pessoa no mundo e falar durante uma hora, quem seria?

Neste momento, queria muito conversar com a Phoebe Waller-Bridge, que escreveu o Fleabag, o Killing Eve, e por aí fora. Acho que teríamos muito que conversar sobre questões criativas, escrita, peidos (não sei se podem pôr peidos na entrevista!). Acho-a fabulosa! Adoro a noção que ela tem do humor como arma. Tenho ideia que ela gosta do seu copito, da sua comidinha, acho que daria uma boa conversa.

  • Qual foi o melhor concerto que viste em Coimbra?

Vou ter de dizer Tédio Boys quando eu tinha 15-16 anos. Porque actuaram na José Falcão, que era a escola onde eu estudava, e foi um concerto muito marcante. Tão marcante que o meu percurso a seguir cruza-se com o deles.

  • O que é que Coimbra não tem?

Coimbra não tem noção. Descansa à sombra da universidade, do turismo, da sua história, sem olhar para o presente. Tenho uma relação de amor-raiva com a cidade e, mesmo tendo trabalhado noutros sítios, escolhi sempre Coimbra como base porque adoro a cidade. Vivi na baixa durante 4 anos e é assustador! Temos pessoas a dormir na rua (embora nós achemos que não temos). O nosso trânsito, para o tamanho da cidade, é ridículo! A nossa relação com o rio é vergonhosa! Falta vontade política para que certas coisas funcionem melhor. Coimbra é muito bonita, tem muito potencial, mas não tem noção.

  • Que filmes ou séries te recusas a ver?

Nada! Quero ver tudo. Tenho uma relação muito forte com a pop culture e preciso de ver tudo, nem que seja para depois ter discussões animadas de café e dizer que é uma porcaria.

  • Tens algum talento secreto?

Eu sou um repositório de coisas inúteis. Como, por exemplo, fazer um esguicho de água entre os dentes, assobiar de maneiras patéticas ou imitar animais. Numa festa de crianças seria uma boa atracção de variedades.

  • Qual é a coisa sem a qual não consegues viver?

Lamento mas, o telemóvel. O telemóvel é muito presente no meu dia-a-dia, para tudo!

  • O que é que não pode faltar no teu frigorífico?

Regra geral, o meu frigorífico está sempre vazio. Mas, como sou muito “sopeira” diria legumes frescos.

  • Qual é a palavra que usas em demasia?

Muitos advérbios de modo, tudo o que acabe em -mente.

  • Quem gostarias que escrevesse a tua biografia?

Eu ou a Phoebe (Waller-Bridge).

  • Em que emprego serias terrível?

Qualquer emprego onde tivesse de lidar com números ou que exigisse muito estofo emocional.

  • O que mais te preocupa na sociedade moderna?

A falta de empatia.

  • Qual é o filme que viste vezes sem conta?

Hedwig and the Angry Inch (John Cameron Mitchell, 2001), um filme muito importante na minha vida.

  • Um livro que toda a gente deveria ler?

Son of Oscar Wilde (Vyvyan Holland, 1954). Escrito por um dos seus filhos, sobre o que aconteceu à família depois do pai ter sido detido.

  • O que é que te irrita mais nos outros?

Tudo! Sou facilmente irritável. Sou é uma pessoa muito educadinha. Como ando muito a pé e de transportes públicos, irrita-me a falta de civismo: o barulho, atirar lixo para o chão, a falta de respeito com os animais e com os mais velhos, passar à frente da fila..… Posso parecer uma pessoa horrível mas essas coisas aborrecem-me muito. O que é que me irrita? Tudo!

  • O que é que te faz rir à gargalhada?

A minha gata, Lurdinha Agatha Crispies.

  • Sites ou revistas?

Revistas. Adoro papel.

  • Que vício gostarias de não ter?

Não tenho vícios. É uma chatice.

  • Não sais de casa sem?…

Lenços de papel.

  • Uma coisa que as pessoas não saibam sobre ti?

Há muitas! As pessoas assumem muitas coisas que não são verdade e, portanto, acho que para algumas seria uma surpresa conhecer-me. Tenho ideia que acham que eu sou uma pessoa muito social, muito expansiva, muito festiva e que gosto de sair à noite, o que não corresponde à verdade. Sou bastante tímida e caseira. Não que eu seja um bichinho, mas pronto.

Associa palavras

actriz – Olivia Colman
cidade – Coimbra
comida – toda!
bebida – água
objectivo – ter mais calma
viagem – Islândia, ainda este ano
sonho – viajar
pessoa – a pessoa com quem partilho a minha vida
cor – prateado
refúgio – casa, a minha

Preferias acordar ao lado do Putin ou do Trump?

Do Trump jamais! Só a ideia de acordar ao lado desse homem é assustadora! Por isso, escolhia o Putin, para depois irmos passear nas montanhas da Sibéria.

Fotografia: João Azevedo
Texto: Célia Lopes

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